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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Bossa moderna

Paula Morelenbaum faz dobradinha como cantor, compositor e instrumentista João Donato em novo projeto

No álbum Água, Paula Morelenbaum relê clássicos de João Donato

Luciana Zacarias  


Esqueça o singelo banquinho e violão. A Bossa Nova, que teve seu auge do final da década de 1950, hoje se mantém através da renovação de artistas como Paula Morelenbaum, 48 anos, que está lançando o álbum Água (Biscoito Fino).

O trabalho apresenta nova roupagem para clássicos do estilo e rende homenagens ao cantor,compositor, pianista e arranjador João Donato, 76 anos, nome-chave do movimento musical. “Água é uma expressão utilizada por Donato nos ensaios, para indicar o fim ou alguma alteração na música”, explica Paula.

No trabalho, Paula faz releituras de canções como Café com Pão, A Rã – um dos maiores sucessos de Donato, gravado por Sérgio Mendes –, Lugar Comum e A Paz, de parcerias distintas de Lysias Ênio, Caetano Veloso e Gilberto Gil, respectivamente. E conta com participação dos instrumentistas Jaques Morelenbaum (celo), Leo Gandelman (sax) e os grupos Paraphernalia e BossaCucaNova.

As músicas, relançadas com estilo acústico jazzístico e eletrônico, receberam arranjos do próprio Donato, de Jaques Morelenbaum, Leo Gandelman, Marcos Kuzca Cunha e Alex Moreira, além dos mais jovens Donatinho (filho do músico), Kassin e Beto Villares.

Não tão inusitada, a prática de “reunir várias cabeças pensantes de estilos variados” é utilizada por Paula desde Berimbau (2004), com repertório de Vinicius de Moraes. “É uma ideia para acrescentar, não repertir”, justifica. Após interpretar Jorge Ben Jor em Bossarenova (2010), ela revela a vontade de trabalhar mais com sua obra.

PARCERIA O primeiro contato entre Paula e Donato aconteceu em 2007, na gravação de um documentário musical da BBC. Em seguida, eles tocaram juntos no Japão. Após gravar composições de Donato em Telecoteco (2008), que tem canções de 1930 a 1960, Paula despertou o interesse em explorar mais a obra do músico.

“Chega a ser uma espécie de descoberta dos discos antigos”, declara Donato, que ajudou Paula na escolha das faixas e teve algumas de suas raridades relembradas em Água. Entre elas, Everyday (do songbook com Ed Motta), Entre Amigos (resultado de dupla com Mongo Santamaria, nos anos 1960) e Tudo Tem (do CD Lugar Comum, 1975). A gravação com Santamaria, por exemplo, precisou ser comprada pela internet pois nem o compositor tinha mais o disco.

As canções escolhidas também têm muitas histórias. Uma delas é Lugar Comum, melodia que surgiu durante a juventude do compositor, ainda no Acre, após ouvir alguém cantando numa canoa. A letra foi criado anos depois, por Gilberto Gil, em Itapuã.

Para apresentar o trabalho, Paula e Donato vão estrear uma turnê nacional em 2011. Também pensam na possibilidade de um DVD. No mesmo ano, Donato lançará no Brasil o CD Aquarius, gravado com a cantora Joyce Moreno.

GRAMMY João Donato é um dos seis músicos que receberão da Academia do Grammy Latino o prêmio de excelência musical, em cerimônia privada no Hotel Four Seasons, em Las Vegas, dia 10 de novembro. A nomeação pelo conjunto da obra deve-se às suas composições instrumentais e fusões de funk, soul, jazz e ritmos afro-cubanos, característica que adotou nos 13 anos que viveu nos EUA.

No dia seguinte acontece a celebraçãodo11ºGrammy Latino, no qual é o único brasileiro a concorrer com seu trio na categoria jazz, pelo álbum Sambolero. “Ele é um músico amplo, que não ficou só na bossa. Tem uma verve latina característica”, elogia Paula.


Título Água
Artista Paula Morelenbaum e João Donato
Direção Paula Morelenbaum e João Donato
Gravadora Biscoito Fino
Preço R$ 34,90


*Publicado originalmente na edição do dia 04/10/2010, do jornal Correio*.


Uma interessante entrevista - com direito a exibição das músicas do disco Água - no programa de rádio Vozes do Brasil. Clique aqui para ouvir. 

domingo, 24 de outubro de 2010

Mais uma do Ali

O "bolinhagate" de Serra
O dia em que até a Globo vaiou Ali Kamel

Passava das 9 da noite dessa quinta-feira e, como acontece quando o “Jornal Nacional” traz matérias importantes sobre temas políticos, a redação da Globo em São Paulo parou para acompanhar nos monitores a “reportagem” sobre o episódio das “bolinhas” na cabeça de Serra.
A imensa maioria dos jornalistas da Globo-SP (como costuma acontecer em episódios assim) não tinha a menor idéia sobre o teor da reportagem, que tinha sido editada no Rio, com um único objetivo: mostrar que Serra fora, sim, agredido de forma violenta por um grupo de “petistas furiosos” no bairro carioca de Campo Grande.
Na quarta-feira, Globo e Serra tinham sido lançados ao ridículo, porque falaram numa agressão séria – enquanto Record e SBT mostraram que o tucano fora atingido por uma singela bolinha de papel.Aqui, no blog do Azenha. você compara as reportagens das três emissora na quarta-feira. No twitter, Serra virou “Rojas”. Além de Record e SBT, Globo e  Serra tiveram o incômodo de ver o presidente Lula dizer que Serra agira feito o Rojas (goleiro chileno que simulou ferimento durante um jogo no Maracanã).
Ali Kamel não podia levar esse desaforo pra casa. Por isso, na quinta-feira, preparou um “VT especial” – um exemplar típico do jornalismo kameliano. Sete minutos no ar, para “provar” que a bolinha de papel era só parte da história. Teria havido outra “agressão”. Faltou só localizar o Lee Osvald de Campo Grande. O “JN” contorceu-se, estrebuchou para provar a tese de Kamel e Serra. Os editores fizeram todo o possível para cumprir a demanda kameliana. mas o telespectador seguiu sem ver claramente o “outro objeto” que teria atingido o tucano. Serra pode até ter sido atingido 2, 3, 4, 50 vezes. Só que a imagem da Globo de Kamel não permite tirar essa conclusão.
Aliás, vários internautas (como Marcelo Zelic, em ótimo vídeo postado aqui no Escrevinhador) mostraram que a sequência de imagens – quadro a quadro – não evidencia a trajetória do “objeto” rumo à careca lustrosa de Serra.
Mas Ali Kamel precisava comprovar sua tese. E foi buscar um velho conhecido (dele), o peritoRicardo Molina.
Quando o perito apresentou sua “tese” no ar, a imensa redação da Globo de São Paulo – que acompanhava a “reportagem” em silêncio – desmanchou-se num enorme uhhhhhhhhhhh! Mistura de vaia e suspiro coletivo de incredulidade.
Boas fontes – que mantenho na Globo – contam-me que o constrangimento foi tão grande que um dos chefes de redação da sucursal paulista preferiu fechar a persiana do “aquário” (aquelas salas envidraçadas típicas de grandes corporações) de onde acompanhou a reação dos jornalistas. O chefe preferiu não ver.
A vaia dos jornalistas, contam-me, não vinha só de eleitores da Dilma. Há muita gente que vota em Serra na Globo, mas que sentiu vergonha diante do contorcionismo do  “JN”, a serviço de Serra e de Kamel.
Terminado o telejornal, os editores do “JN” em São Paulo recolheram suas coisas, e abandonaram a redação em silêncio – cabisbaixos alguns deles.
Sexta pela manhã, a operação kameliana ainda causava estragos na Globo de São Paulo. Uma jornalista com muitos anos na casa dizia aos colegas: “sinto vergonha de ser jornalista, sinto vergonha de trabalhar aqui”.
Serra e Kamel não sentiram vergonha.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tango futurístico no TCA

Gotan Project lança em Salvador o disco Tango 3.0

Não tinha como dar errado: tango, jazz e música eletrônica. Piano, violão, baixo, violino, bandoleon, mesa de mixagem, entre outros instrumentos, eram utilizados pelo Gotan Project na apresentação, ontem à noite no Teatro Castro Alves.  
Muito bom! Era tudo incrível, perfeito. Nunca vi uma iluminação tão profissa como a daquele palco, em show que não dava margem à monotonia, não apenas pelo bem selecionado repertório, mas forte apelo estético. Em minutos, as letras luminosas de "tango", em vermelho, convertiam-se no anagrama "Gotan", em azul. Tecnologia de ponta nos instrumentos, músicos afinadíssimos.
A única coisa que lamentei foi não terem tocado a releitura de Last Tango in Paris, mas como não se tratava do famoso La Revancha Del Tango mesmo..as músicas de Tango 3.0 também são ótimas. Fora a pequena homenagem aos brasileiros com uma breve interpretação de Samba de uma Nota Só. Ao final, a desejada canja pedida pelo povo: "Santa Maria"! rs
Logo no primeiro grande efeito de luz, o arrepio completo (que viria a se repetir várias vezes até o final do show) e discretas lágrimas de emoção.
A cantora também tem um vozeirão, mas claro que os efeitos sonoros davam outra percepção do que cantava. Videoclipes sensuais completavam a cena. No meio do show, o pessoal começa a ficar em pé, impossibilitando a vista. A atitude segue em sequência e, de repente, até o pessoal da fila Z (sim, o TCA e até o estacionamento estavam lotados em plena quarta!) vai pra frente do palco dançar. Falta de educação do baiano? "Calor humano"? A banda gostou: conseguiu quebrar a barreira da distância que desejava e ainda fez bis.
E viva o Gotan futurístico! Last tango in Salvador. Mais um show que consolida a capital baiana na rota das turnês das atrações internacionais. Inesquecível ;).

PS: Só eu que não consigo ir sempre no TCA, ou agora virou moda, em todo show grande e animado, o pessoal não se conter e começa a descer pra dançar na frente do palco? Tá bom que esse parecia uma rave, mas no PercPan foi a mesma coisa.

Uma prévia do novo trabalho:

domingo, 12 de setembro de 2010

Falamansa lança CD e DVD comemorando dez anos de sucesso

A fala de Ricardo Cruz, o Tato, é realmente calma. E é nesse passinho manso que já faz 12 anos desde que o cantor e compositor criou o Falamansa, reunindo amigos para tocar forró no Festival Universitário da Mackenzie, em São Paulo. Foi lá o pontapé inicial do grupo, que dois anos depois, em 2000, lançou Deixa Entrar, disco que fez grande sucesso no país e emplacou o hit Tô Rindo à Toa.
Para marcar os aniversários, o Falamansa lança em edição comemorativa e independente o DVD/CD Falamansa 10 Anos - Por Um Mundo Melhor, gravado em 2009, na cidade paulista de Caraguatatuba. Além de relembrar músicas que marcaram a carreira, sobretudo do álbum que vendeu 1, 8 milhão de cópias, e trazer quatro novas faixas, o trabalho conta um pouco da trajetória da banda que popularizou o forró universitário.

“É superimportante perceber que o forró não é só para forrozeiros. Hoje a gente não consegue nem ser mais rotulado como universitário”, afirma Tato. Além dele, o grupo é formado por Douglas Capalbo, o Alemão (zabumba), André Canonico (triângulo e percussão) e Valdir do Acordeom (sanfona). Nos trabalhos, que custam R$ 25 (DVD) e R$ 20 (CD), a banda homenageia Luiz Gonzaga, sua principal influência, com a música Sanfona Sentida.

Luciana Zacarias

*Publicado originalmente na edição do dia 10/09/2010, do jornal Correio*.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Isso é Calypsooo!

Banda paraense celebra 10 anos de carreira com DVD gravado ao vivo

Luciana Zacarias


Uma voz feminina aguda e um ritmo dançante que lembra a velha lambada: isso é Calypso. A maioria das pessoas pode não identificar os nomes Cledivan Almeida Farias e Joelma Mendes, mas é difícil encontrar um brasileiro que não saiba algo sobre a dupla formada pelo guitarrista Chimbinha e a cantora Joelma: Calypso, um dos maiores fenômenos musicais do país na década.

Foi justamente através do casal Chimbinha & Joelma que nasceu a banda paraense Calypso, comemorando uma década de estrada com DVD e CD Calypso - 10 Anos(SomLivre). Chimbinha selecionou as 27 canções do DVD gravado ao vivo no Recife, em novembro de 2009. “É tanta música que dava pra fazer um CD triplo”, brinca Joelma, sobre as músicas escolhidas entre as quase 200 gravadas pela dupla em 13 álbuns .

Outra dificuldade foi escolher as participações especiais. “É difícil dar uma passada por esses dez anos. Amigos ficaram de fora, alguns porque tinham outros compromissos”, afirma o casal que convidou Fagner, o grupo gospel Voz da Verdade, Bruno & Marrone e o maestro pernambucano Spok.

Apesar do repertório que agrada certamente aos fãs, a produção do DVD deixa a desejar no tratamento de imagem e,em algumas músicas, é perceptível a dublagem da cantora. Tratando-se de um marco,os admiradores do Calypso mereciam mais.

FENÔMENO

Criada pelo autodidata Chimbinha, a sonoridade, que mistura o estilo caribenho e ritmos tradicionais do Pará com letras de amor, caiu no gosto popular logo no início do ano 2000. Além da voz, Joelma também trouxe para o grupo o estilo próprio de coreografias rebolativas e o figurino.
Sem gravadora e pouca grana, a dupla distribuía CDs gratuitamente em locais como as rádios comunitárias e de feiras de Belém. A estratégia deu certo.Em2007, a Calypso foi apontada por pesquisa do Datafolha como a banda mais popular do Brasil. Com dez milhões de discos vendidos e dois milhões de DVDs, a banda faz 200 shows por ano.

SÃO JOÃO

E como é São João, a Calypso pinta na Bahia com repertório temático. No roteiro de shows gratuitos estão Inhambupe, hoje, e Mata de São João, sexta. Em Santo Antônio de Jesus, amanhã, a dupla participa do Forró do Visgo. Após o São João, Joelma e Chimbinha retomam o projeto de gravar um CD em espanhol. E adiantam: a Calypso faz show em Salvador, dia 21 de agosto, no Bahia Café Hall.
  
DVD/CD Calypso - 10 Anos
Artista Calypso
Gravadora Som Livre
Direção Geral Chimbinha
Preço R$ 17,90 (DVD) e R$9, 90 (CD)
 

*Publicado originalmente na edição do dia 23/06/2010, do jornal Correio*.

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